Acabei de editar a crónica do meu amigo Luís Bento, para a revista. Não resisto a colocar aqui um bocadinho.
(…)
Modernamente, uma classe tecnopolítica (verdadeiros tecnocratas da política) emergente, é completamente incapaz de expressar emoções perante o sofrimento alheio. Reduz tudo a estudos e a análises económico-financeiras, cobrindo-se com o manto (não) diáfano do poder.
São os novos iletrados emocionais:
- conseguem dizer que são sensíveis ao problema e nada fazer;
- conseguem olhar com distanciamento o sofrimento alheio;
- conseguem persistir em ideias do passado quando vem aí o futuro;
- conseguem esconder-se dentro de uma redoma protectora;
- conseguem viver não vivendo e não deixando os outros viver.
Estes novos iletrados emocionais (que pululam por aqui e por ali) reconhecem-se facilmente não por aquilo que fazem mas, acima de tudo, pelo que não fazem, autoproclamando-se proprietários da razão, e os outros (os que sofrem, os que vivem com imensas dificuldades, os que não têm que comer) são sempre referidos como tendo dificuldades de entendimento e de análise das circunstâncias.
E até já se chegou ao cúmulo de classificar os dados sobre a pobreza e sobre as desigualdades na distribuição do rendimento em Portugal como «empiricamente falsos».
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Modernamente, uma classe tecnopolítica (verdadeiros tecnocratas da política) emergente, é completamente incapaz de expressar emoções perante o sofrimento alheio. Reduz tudo a estudos e a análises económico-financeiras, cobrindo-se com o manto (não) diáfano do poder.
São os novos iletrados emocionais:
- conseguem dizer que são sensíveis ao problema e nada fazer;
- conseguem olhar com distanciamento o sofrimento alheio;
- conseguem persistir em ideias do passado quando vem aí o futuro;
- conseguem esconder-se dentro de uma redoma protectora;
- conseguem viver não vivendo e não deixando os outros viver.
Estes novos iletrados emocionais (que pululam por aqui e por ali) reconhecem-se facilmente não por aquilo que fazem mas, acima de tudo, pelo que não fazem, autoproclamando-se proprietários da razão, e os outros (os que sofrem, os que vivem com imensas dificuldades, os que não têm que comer) são sempre referidos como tendo dificuldades de entendimento e de análise das circunstâncias.
E até já se chegou ao cúmulo de classificar os dados sobre a pobreza e sobre as desigualdades na distribuição do rendimento em Portugal como «empiricamente falsos».
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