domingo, 30 de março de 2008

Era capaz de dizer que melhor é impossível

Pouco tempo para posts nestes últimos dias. Mas a situação vai voltar ao normal rapidamente, na volta já logo à noite, depois do jogo do Sporting. Deixo a sugestão deste vídeo; era capaz de dizer que melhor é impossível.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Uma visão lúcida sobre o Sporting

Ler aqui.

Apresentação de «Lavagante»

«Lavagante», o inédito de José Cardoso Pires publicado recentemente pelas Edições Nelson de Matos, será apresentado por Maria Lúcia Lepecki este sábado, dia 29, pelas 21h30, em Montemor-o-Novo (livraria Fonte de Letras). Estarão presentes o editor Nelson de Matos e uma das filhas do escritor, Ana Cardoso Pires, responsável pela fixação do texto.
Na ocasião, será inaugurada uma exposição alusiva a José Cardoso Pires, que inclui reproduções de textos originais e fotografias da autoria de João Cutileiro.
Mais informações sobre «Lavagante» podem ser consultadas aqui.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Nunca é demais lembrar

Quando ele era pequenino - 10

O Monge, a posar para a fotografia (finais de Janeiro de 2005).
Último post da série; início aqui.

A dignidade

Dignidade, a de François Sarkozy (cujas posições noutras alturas critiquei), na pressão sobre o criminoso regime chinês. Ao mesmo tempo, Durão Barroso dá mostras mais uma vez da sua tendência para escolher o lado errado (e mais cómodo, é claro).

terça-feira, 25 de março de 2008

Comprar, mas depois

Copio isto do «Aspirina B» [texto de Fernando Venâncio, intitulado «Não compre este livro! (para já...)]:
«O livro tem algum interesse, isso garanto-lho eu. Simplesmente, a edição já disponibilizada, numa livraria perto de si, vai ser retirada do mercado. Não é por nada, mas não está tecnicamente apresentável. A editora, a perfeccionista Assírio & Alvim, vai muito em breve repor a obra. Perfeitíssima. Como é seu timbre.
Agora a boa notícia. É que «Último Minuete em Lisboa» será apresentado na terça-feira 1 de Abril, pelas 19.00 horas, na Casa do Alentejo (Rua das Portas de Santo Antão, ao Coliseu), em Lisboa. A apresentação será feita por Francisco José Viegas.
E, como uma alegria nunca vem só, na mesma ocasião serão apresentados os «Bilhetes de Colares», de José Cutileiro, recentemente saídos na mesma editora, e que o autor do primeiro livro organizou. O apresentador será, aqui, Henrique Granadeiro.»
Deste livro li há uns meses um capítulo, o que lhe dá o título, e pareceu-me simplesmente soberbo. Nada de estranho, ou não fosse Fernando Venâncio um dos grandes escritores portugueses, notável quando o tema é literatura.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Uma situação nojenta

A situação que é descrita na notícia que surgiu hoje na capa do «Público» com um gralha é, não encontro outra palavra, nojenta. Um resumo pode ser lido aqui. Entretanto, do Governo já apareceu alguém a dizer que não é bem assim, no caso um secretário de Estado, Carlos Lobo, que conheci há uns anos por razões profissionais, quando ele fazia parte da equipa de Sousa Franco no Ministério das Finanças. Carlos Lobo estava nitidamente atrapalhado e eu só posso compreender: se tivesse que ir dar explicações sobre uma barbaridade daquelas também estaria. Na SIC, onde ouvi Carlos Lobo, pareceram-me bem os comentadores, o jornalista José Gomes Ferreira e o advogado Luís Filipe Carvalho, nos argumentos claríssimos que apresentaram para condenar a situação.

Bora, malta!


Os gestores divertem-se

Ver aqui.

domingo, 23 de março de 2008

A frase da noite

«Em Portugal os jogadores só falta entrarem em campo e fumarem um cigarro.»
Rui Santos, há momentos, na SIC Notícias

Quando ele era pequenino - 9

O Monge repreende um gato, perante o olhar atento do pai (primeiro dia de 2005).
Início da série aqui.

A democracia por quarenta mil euros

A ler com atenção, em especial quem gosta verdadeiramente do Sporting, isto. A democracia por quarenta mil euros.

Na sala

Mais dois vídeos sobre a educação em Portugal, via blog «Grande Loja do Queijo Limiano»: este e este.

A lição

Foi uma lição, a final da Taça da Liga, no Algarve (Sporting 0, Setúbal 0, com vitória do Setúbal nos penalties). Pareceu-me um jogo equilibrado, com o Sporting certinho e sem jogadores-susto (puroviques e essas coisas), mas também sem fulgor, e com o Setúbal personalizado, com classe, honrando a competição e a respectiva final. Por vezes vão a estes jogos equipas que não as chamadas três grandes e o que chega a acontecer é que essas equipas lutam, até ganham, mas nota-se-lhes fragilidades – maus jogadores à mistura com alguns craques, poucos adeptos, treinadores sem nível embora capazes de se desenrascarem de vez em quando no futebol, dirigentes que não se percebe bem de onde saíram e por aí fora; o Setúbal não mostrou nada disso no Algarve: bem pelo contrário, tem uma equipa notável, um treinador fantástico, adeptos aos milhares e entusiastas e responsáveis que de certeza não os envergonham (já os adeptos do Sporting pudessem dizer o mesmo dos seus responsáveis).
Paulo Bento esteve bem no fim do jogo ao reconhecer a justiça da vitória do Setúbal, frisando que foi a melhor equipa da competição (ganhou nas calmas o grupo em que entrou mais o Sporting). Quanto ao jogo, nem sei se Paulo Bento esteve bem ou não, ou se nem se trata disso; parece-me que a equipa lutou como pôde, e os jogadores-susto estiveram todos a milhas (vamos desculpar o caso de Polga, que mais uma vez distribuiu passes disparatados para tudo quanto era lado – o que faz com que se estranhe que tenha sido ele um dos escolhidos para os penalties, mas também dois dos que sabem jogar à bola, Liedson e Izmailov, falharam da mesma forma). A sensação que fica, no final, depois de se ver a festa do Setúbal, de jogadores, adeptos, treinadores, responsáveis, a sensação é a de que aquela alegria, aquela vibração, aquela energia, a emoção de tanta gente mas sobretudo de Carlos Carvalhal, tudo isso teria de levar mesmo a uma vitória, desse lá por onde desse.
Já do Sporting fica a ideia de que isso teria sido muito difícil, com uma equipa que à semelhança do treinador tenta lutar mas não consegue mais, uma equipa quem sabe contagiada por um grupo de responsáveis quase do pior que o clube já conheceu, acoitados na sade, alheios à dimensão, ao espírito e à tradição do Sporting, falando em lutar por segundos lugares (para não pagar prémios), em falta de dinheiro (lá por Setúbal deve haver barcos cheios de dinheiro a atracarem todos os dias), falando nos talentos do Sporting como quem fala de uma mercadoria para a qual se busca clientes (os talentos são para jogar na primeira equipa do Sporting e ganhar as finais sem ter que ir a penalties), dizendo tanta asneira que já não se percebe como é que ainda têm cara para aparecer por todo o lado armados em representantes do Sporting. São responsáveis a quem o termo pouco se aplica e que podem ser bem ilustrados pela imagem de Filipe Soares Franco na tribuna de honra do Estádio do Algarve, atafulhado na cadeira, triste, aparentemente desinteressado do jogo para já não falar dos adeptos, envelhecido, com um cachecol a fugir do verde enrolado ao pescoço – era o presidente do Sporting, oficialmente era, mas na prática aquilo não tinha nada a ver com o verdadeiro Sporting.

sábado, 22 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 8

O Monge, com o pai, os dois a carregarem pauzinhos (meados de 2005).
Início da série aqui.

A visitar

A visitar, sem dúvida, o blog «Grupo de Apoio ao Tibete», aqui.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O suspeito do costume

Li aqui a notícia do Congresso do Sporting, com Ernesto Ferreira da Silva a ser o escolhido para seu responsável. Não me parece um bom sinal a escolha; a ideia que fica, além de parecer uma coisa muito burocrática, regulamenteira e controlável, é a de que em vez de se discutir o futuro do clube (como é referido num comunicado) o que poderá acontecer é que se trate apenas de discutir o futuro do grupo que nos últimos anos afundou o clube, com a preocupação, claro está, de que possa perpetuar-se no poder. O comentário deixado há dias neste blog pelo meu amigo Carlos Antunes (que pertenceu aos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal em tempos mais honrosos do que estes agora da sade) é bem elucidativo; é o seguinte:
Nas conversas que temos tido sobre o clube, sabe que costumo dizer que «antes de ser português já era sportinguista» (sou um apaixonado pelo Sporting desde que me conheço, muito com o incentivo do meu pai que em Moçambique na década de 50 do século passado me fez do Sporting, na altura a minha única ligação a Portugal).
Este meu amor pelo Sporting é tal que jamais consigo dizer mal do clube ou de quem o serve.
Parece, contudo, que tal tempo se esgotou.
Isto porque reconheço que desde a era Roquette (no princípio, acreditei no projecto) quem preside ao Sporting, em nome do rigor(?) financeiro tem levado a cabo uma gestão desportiva do futebol que aos poucos tem despedaçado «a alma e a condição de ser sportinguista e do povo leonino» (quem esteve em África ou por lá passa sabe ao que me refiro quando digo «o povo leonino»).
O anunciado Congresso Leonino seria porventura uma boa ocasião para encetar um processo de ruptura com o actual poder directivo do Sporting, devolvendo o clube ao coração e à paixão de todos os sportinguistas espalhados pelo mundo.
Simplesmente, a partir do momento em que tive a notícia de que o organizador do mesmo é o Dr. Ernesto Ferreira da Silva, não acredito que tal venha a suceder.Isto pela simples razão de que foi este mesmo senhor que como grandes eventos destinados à massa associativa para comemorar os 100 anos do Sporting (Centenário) se lembrou de organizar dois jantares em Junho de 2006 e 2007 no relvado do estádio para 2.500 sócios cada (ao primeiro ainda fui, mas achei aquilo uma autêntica fantochada, tanto que me recusei a ir ao segundo), servidos em mesas ornamentadas como as de um restaurante de luxo, por criados de libré, flutes de champagne, pâtés de fois, etc., numa demonstração elitista do que este senhor pensa ser a nação sportinguista (ao contrário do que pensa, o Sporting tem uma imensa base popular, como ficou demonstrado na comemoração do título após o jejum dos 18 anos e que esta gestão tem vindo a afastar cada vez mais do clube).
Carlos Antunes, Sócio N.º 9.325 (Leão de Prata)

A aluna, a professora, o telemóvel

Não escrevi nada sobre o caso da aluna que numa escola do Porto agrediu uma professora por causa do telemóvel. Mas li as análises mais lúcidas aqui, aqui e aqui.

Sobre a barbárie chinesa no Tibete

Ler aqui.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 7

O Monge, com a mãe e o pai, de regresso a casa (finais de Janeiro de 2005).
Início da série aqui.

A liderança no futebol português

Excerto de uma entrevista de Manuel Sérgio à revista «Pessoal» (pode ser lida aqui):
(…)
E existem dirigentes de qualidade no futebol português?
São raros. Ao ouvi-los falar, percebe-se perfeitamente que não são competentes. E é por isso que depois desenvolvem uma competição desmesurada e passam a vida a insultar-se uns aos outros.
Por que é que isso acontece em Portugal?
Possivelmente porque somos um país onde a educação ainda está um pouco atrasada. Temos muitos dirigentes de clubes que são pessoas sem cultura para liderar seja o que for. E no futebol, como em qualquer área, a cultura é a mola do desenvolvimento.
(…)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Outros tempos

Outros tempos, estes do Sporting de que aqui se fala. Além que não havia sade e sempre se encontrava alguém a mandar que percebesse de futebol e não pensasse só em segundos lugares; agora, nem com uma lupa, nem sequer com uma máquina qualquer de detecção toda ultramoderna.

O intruso


Nobre causa


Tempo de mudança

O editor dos dois livros do ano de 2007 (ver aqui), Manuel Alberto Valente, deixou o Grupo Leya. Ler aqui, aqui e aqui.

terça-feira, 18 de março de 2008

Animais de «O que Entra nos Livros»

Dentro de dias neste blog, uma nova série.

Do you speak English?

Ver aqui.

A China

A propósito do boicote referido no post anterior, deixo a seguir um excerto de um texto que publiquei na revista «Pessoal» há pouco mais de um ano; é do meu amigo Carlos Antunes (uma versão próxima da que foi publicada pode ser lida aqui).

Em geral, todos os observadores apontam para que a China se torne por volta de 2050 na maior economia mundial – só para se ter uma ideia de comparação, o produto interno bruto (PBI) da França será então o equivalente ao da província chinesa de Cantão –, mas estou em crer que tal acontecerá muito antes de meados deste século, convicção apenas baseada nas respostas que a «Mónica» [nome ocidental da guia] foi dando às minhas perguntas acerca da sociedade chinesa. Ela referiu-me números, realidades e crenças como as de que «os trabalhadores chineses não têm contrato de trabalho», que «embora o horário de trabalho seja de oito horas diárias o normal é a jornada alargar-se até às 16 sem qualquer remuneração extra, operários com ordenados da ordem dos 80 euros mensais – 150 nas zonas económicas especiais, como Zhuhai, o coração industrial da China, onde os operários trabalham, comem e dormem nas fábricas –, uma simples semana de férias anual por ocasião do novo ano lunar chinês, a liberalização total de despedimentos sem qualquer indemnização, 80% da população sem qualquer direito a segurança social, com a inexistência de pensões de reforma ou de protecção na saúde – apenas 20% dos funcionários do Estado têm algum nível de protecção social –, enfim, com o paradigma do conceito de trabalho chinês de que ‘enquanto a mãos trabalham a boca está fechada e o cinto apertado’…». Ou seja, não é difícil de perceber que num mercado de trabalho sem quaisquer direitos e com um tal nível de dumping social a China tem condições únicas para competir na economia globalizada sem que algum outro país lhe consiga fazer frente.
Mas há mais… A China tem uma população de 1.300 milhões habitantes, dos quais 85% (1.100 milhões) vivem no campo ao nível da agricultura de subsistência, e cuja passagem para o sector industrial mesmo com salários de 80/ 150 euros mensais significa um expressivo acréscimo do nível de vida para os que a ele têm acesso (a expansão económica chinesa das últimas duas décadas representou o maior processo de redução de pobreza alguma vez observado na História). Ou seja, o país dispõe de uma tão imensa reserva de mão-de-obra, em que os potenciais recursos humanos para o mercado de trabalho podem continuar a ser indefinidamente multiplicados, de modo a manter a tendência da alta remuneração do «capital» e da baixa remuneração do factor «trabalho».

Pelos direitos humanos…

… que pouco ou nada contam na China, razão pela qual se justifica o boicote aos Jogos Olímpicos deste ano; por mais interesses que estejam em jogo, nunca serão mais importantes do que os de milhões que todos os dias sofrem com a barbárie.

Quando ele era pequenino - 6

O Monge, em corridas mais o pai e a mãe (primeiro dia de 2005).
Início da série aqui.

Um golo tipo telenovela

Não foi, como no jogo com o Bolton, uma noite tranquila o Sporting 4 (Liedson 2, João Moutinho, Yannick), Nacional 1. Explico por que é que me pareceu que não foi… Apesar de a equipa alinhar apenas com jogadores válidos (até Polga parecia estranhamente que tinha jeito para o futebol, não cometendo as falhas que nos últimos anos o têm notabilizado), o que é certo é que tudo estava muito equilibrado, com o Sporting a ameaçar marcar mas com o Nacional a ameaçar ainda mais. Foi assim a primeira parte, o que, convenhamos, não é pouco. Depois, na segunda, nem sei se as coisas eram para ser iguais, de repente, em cinco minutos, três golos. Tinha saído Tiuí e entrado Vukcevic, que é bem melhor, embora o brasileiro, já se sabe, esteja muito mas mesmo muito longe de ser a vergonha que é Purovic. A mudança deu resultado. Vukcevic, que tinha ficado a descansar, foi fundamental no primeiro golo, com a sua teimosia para criar uma jogada que desse bons resultados. Fiquei com a sensação de que foi a chave para abrir uma fechadura que estava emperrada. Não se tratou de um lance de insistência, antes foi um lance de teimosia, temperado com um toque de subtileza de Pereirinha e com um remate frio de Liedson. Não me lembro nos últimos tempos de um golo tão invulgar, quase marcado por capítulos, tipo telenovela; ou romance, nem sei. O segundo golo, de João Moutinho, a mesma coisa; primeiro a confusão, a esperteza e fé de Liedson, e depois a habilidade de João Moutinho. O terceiro, esse já foi mais normal, com João Moutinho a retribuir o passe de Liedson uns minutos antes. Depois veio o penalty, para o qual eu não consegui arranjar jogador para marcar (talvez Ronny), receando que qualquer um pudesse falhar; Romagnoli falhou. Uns minutos depois, o golo de Yannick, num regresso que espero possa ser um bom sinal; eu acho que ele é um bom jogador, embora falhe muitas oportunidades e às vezes seja um bocado disparatado (no tempo que esteve em campo tive a sensação de que se mantém assim, de que a mudança é mesmo só no cabelo cortado, mas de qualquer maneira acho que é um jogador com o qual se deve contar no Sporting). Só mais umas notas: Paulo Bento voltou a fazer entrar Farnerud, que até pareceu disposto a lutar em duas ou três jogadas onde meteu o pé, e por isso, tudo bem, nem se leva a mal a decisão do treinador; Polga acabou como capitão (depois da saída de João Moutinho), o que não deixa de ser um bocado cómico; Rui Patrício desta vez pareceu mais seguro e Gladstone, o jogador com nome de pistoleiro dos livros de cowboys, nem sei bem, não percebi se conseguiu integrar-se ou se não conseguiu; Adrien esteve tranquilo, é muito bem jogador mas, não sei por quê, na segunda parte teve dois ou três lances em que ficou a dormir tipo Farnerud no seu estado normal. Mais duas coisas… A dificuldade em marcar penalties é mesmo um mistério; estive no estádio no jogo com o Bolton e notei a falta de à vontade dos jogadores no remate, notei isso no aquecimento e depois durante o jogo, o que denota falta de trabalho na academia (curiosamente, só o guarda-redes Stojkovic me pareceu confiante e verdadeiramente eficaz nos remates, quando esteve mais um dos técnicos a ajudar Rui Patrício a aquecer). Segunda coisa, os jogos em casa com o Nacional; este veio confirmar que são mesmo um bocado estranhos (veja-se um para a Taça de Portugal que meteu prolongamento, com Peseiro a treinar o Nacional, a derrota por quatro a dois no último jogo do campeonato que Peseiro já no Sporting perdeu quando tinha tudo para ganhar, a vitória por um a zero já com Paulo Bento e com o medíocre Caneira a marcar o golo num remate tipo totoloto e os cinco a um do ano passado com os cinco golos nos últimos quinze minutos e quatro deles a serem marcados por Carlos Bueno).
Claro que agora esta vitória por quatro a um seria melhor se estivéssemos a lutar pelo primeiro lugar, se não bastasse recuarmos uma jornada para cairmos naquele pesadelo de Guimarães, se tivéssemos responsáveis à altura da grandeza do clube e ainda mais algumas coisas. Mas a realidade é outra, bem diferente. É preciso ganhar a luta apenas pelo segundo lugar (o tal de onde não passam os sonhos de Filipe Soares Franco por causa de poupar nos prémios aos jogadores), a luta contra o Setúbal, o Guimarães e o Benfica. Parece-me mais complicado o Guimarães, o Setúbal nem tanto e o Benfica a verdade é que nem sei, tanta é a confusão que vai para os lados da Luz, onde o que parece que se passa é que todos estão com medo de que aconteça um verdadeiro descalabro e a equipa não consiga ganhar mais nenhum jogo até ao fim da época. Mas sobre o Benfica não gosto de meter em grandes análises…

segunda-feira, 17 de março de 2008

Na Grécia

Na Grécia, José Peseiro começa a dar sinais de que pode repetir a situação que protagonizou no Sporting, onde a sua falta de liderança atingiu o impensável (nota também para o mau lugar que ocupa na classificação o PAOK, treinado por Fernando Santos, que no Sporting, como se esperava, falhou completamente). Sobre a falta de liderança de José Peseiro, ver aqui.

A ética apenas no léxico

«… para estes senhores a ‘ética’ é uma palavra que faz parte do seu léxico, mas não da sua forma de vida.» Ver aqui.

sábado, 15 de março de 2008

Os gestores divertem-se

Ver aqui como se divertem os gestores (?) de Alvalade.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Os clássicos

José Sócrates apareceu numa reportagem da SIC, ao que me pareceu (só vi um excerto), humilde e com ar simpático. Achei aquilo um bocado despropositado, especialmente a estranha ingenuidade da jornalista (Raquel Alexandra) na condução da entrevista, ainda por cima uma jornalista experiente e conhecedora do mundo da política. Retive uma frase de José Sócrates, sobre o facto de ter aumentado os impostos depois de ter prometido que não o faria… «Foi então que vi aquilo que já tinha lido nos clássicos, a responsabilidade para com o país e a responsabilidade para com a minha consciência.» Leu então nos clássicos… Eça, Maupassant, Christie, Cela, Steinbeck, Rulfo, Florbela, Dickens, Salgari, Pessoa? Böll, Fenimore Cooper, Yourcenar, Verne, Wolf, Camilo, Eliot, Maquiavel, Borges? Scott, Zola, Camões, Marai, Redol, Blixen, Stendhal, Beckett, Cervantes? Bocage, Homero, Lispector, Moravia, Tolstói, Mishima, Duras, Martí, Torga? Infelizmente não deu para ficar a saber; depois da resposta, a jornalista não perguntou.

Uma noite tranquila

Não tenho visto os jogos do Sporting ao vivo, tenho-me ficado pela televisão. Mas ontem à noite vi mesmo em Alvalade o Sporting 1 (Pereirinha), Bolton 0, para os oitavos de final da Taça UEFA. A equipa pareceu-me bem arrumada e a jogar com alguma aplicação, mas nota-se que as coisas não estão bem, que a equipa está com limitações, sobretudo a atacar, além de nos remates estar nitidamente desastrada. De qualquer forma, até pelo nível do adversário, deu para a noite ser tranquila. Destaque para o facto de só terem alinhado jogadores, digamos assim, normais, ou seja, que estão à vontade com a bola; isto, já se vê, com excepção de Anderson Polga, que ontem à noite, ainda por cima, deve ter tido uma das suas exibições mais cómicas, dignas de integrarem a programação daqueles espectáculos internacionais de circo que passam na televisão, normalmente com os príncipes do Mónaco a assistirem (podia dar vontade de rir mas não dá, porque na sade, sem que se perceba a razão, há quem se desunhe para renovar-lhe o contrato por não sei quantos anos; e eu não me imagino a ver lá pela época de 2010/ 2011, por exemplo, a Sporting ainda a jogar com o central brasileiro – mas a realidade, por vezes, ultrapassa a imaginação, como aliás Polga bem provou ontem à noite com alguns passes verdadeiramente inimagináveis). Ainda do jogo, destaque também para a exibição de Pereirinha (não apenas pelo excelente golo), para algum apagamento de Vukcevic, para o regresso de Liedson e para a sensação de insegurança que Rui Patrício por vezes transmite.

Maravilhas do mundo

Maravilhas do mundo, muitas, disponíveis aqui, via blog «Corta-fitas. Não aparece nada de Portugal, mas este Alentejo da foto podia muito bem lá estar.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um conto

Um conto com que há alguns anos, em 2002, participei num livro editado por este grupo. O livro chama-se «As Segundas Palavras da Tribo»; a imagem é de uma das apresentações, no Bairro Alto, em Lisboa (livraria Ler Devagar).

Os terríveis baixinhos de olhos de pirilampo
Não sabia como tinha ido lá parar. Nem por quê. Nunca ninguém sabe. Pensava que me tinham levado, dois ou três dos que costumam vigiar-me à distância, dos que me gritam que mais dia menos dia alguma coisa acontecerá. Mesmo assim, não me lembro de terem chegado ao pé de mim... Nem sei como terão conseguido dominar-me. Três deles, a dar-me pelo ombro, três dos que sempre me avisam... Talvez tenham sido mais, talvez, porque com três eu haveria de poder bem. Sim, três apenas nunca chegariam perto. Vê-se que têm medo de mim, como de muita gente por aí. Mas eles avisavam-me, os que sempre me vigiam, avisam-nos, avisam muita gente, com a gritaria, e com os olhares, com os olhos amarelos-esverdeados de pirilampo. Quantas vezes não pensei que se preparavam para me fulminar?
Sim, devem ter sido mais do que três. Não tenho nenhum galo na cabeça, nem sinto cheiros esquisitos no nariz. Eu nem sei se eles usam disso, se intoxicam as pessoas. Bater sei que batem, mas não tenho nenhum galo na cabeça.
Da próxima vez que encontrar alguns, provavelmente os dois ou três do costume, atiro-me a eles, mesmo correndo o risco de aparecerem logo uns dez a acudir. Vá lá que não formam à dezena, que andam só aos dois e aos três. Depois é que se juntam, quando sentem o perigo. São pequeninos, baixinhos, mas bem danados. De contrário, não teriam chegado a dominar isto. Por que é que será que toleram escritores? Será que não lhes lêem os livros? Por que é que será que a esses só os levam de vez em quando? Ainda vão passar à história, os escritores, obviamente, como privilegiados; pior, como colaboracionistas. Um equívoco, como tantos outros da história... Ainda eu passo à história assim, e não como escritor e até, em tempos idos, de abertura de fronteiras, de nome falado para o Nobel. O escritor das bruxas, se bem que bruxas de inspiração regionalista, talvez capaz de ganhar o Nobel lá para 2009, mas só depois do vizinho espanhol também muito falado, o tal de apelido de nome próprio de mulher mas no plural, o Marías, quase com idade para ser meu pai. Haveria de ser bonito, o Marías, se em Espanha tivesse chegado um regime como este dos baixinhos. Não, os espanhóis não tolerariam baixinhos no poder; já lhes bastou o filho da puta do Franco, que além de baixinho era gordo que nem um porco cevão, antes de mirrar, quando foi para velho. Pois, muitos espanhóis haveriam de dizer isto, até o Marías, que o mais certo era com baixinhos a mandar perder logo as ilusões do Nobel.
E nós, cá, agora, com os baixinhos a mandarem nisto... Antes o Salazar, diz-se pelas esquinas mais resguardadas, antes o Salazar ou, se não fosse pedir muito, o Cavaco, que era do género mas tinha a vantagem de não ter a polícia política. Os outros que apareceram depois é que não, os da rebaldaria; por causa desses, se calhar por causa das rebaldarias desses todos, anos e anos, é que os baixinhos tomaram conta disto. Impressionaram a populaça com os olhos reluzentes, à pirilampo, os cabrões... De onde é que eles terão saído, ainda por cima tantos? Montes deles, sempre com a mania de terem tudo ordenadinho, o trânsito, os hipermercados, os impostos, os serviços de saúde, as conversas de rua; e baixinho, baixinho, fale-se baixinho, como os baixinhos estão sempre a pedir, se calhar porque têm ouvidos sensíveis...
Bom, por que é que fui lá parar eu não sabia. Pensava até que teria sido pelo que escrevi no meu último livro... Mas esse já tem uns bons anos. Não escrevo daí para cá, de há uns bons anos para cá... As comissões de olhares e estudos dos baixinhos já o conhecem de uma ponta a outra, palavra a palavra, frase a frase, capítulo a capítulo, os minuciosos dos baixinhos... Pois, não podia ser isso, pensava eu... Seria por terem-me visto em politiquices, por alguém me ter denunciado? Mas eu não me meto em nada...
Malditos baixinhos!, cheguei a dizer, só para mim.
De repente, uma porta do gabinete abriu-se e entrou o presidente. Que mau-cheiro!... Eu não sabia que o cabrão cheirava assim, ainda pior do que os outros. Deve ser um sinal de distinção... Só o tinha visto na televisão, e a televisão, apesar das maravilhas da técnica que se ouve sussurrar do exterior – os baixinhos não deixam cá entrar nada disso –, a nossa, a nossa televisão, ainda não tem essas novidades, não transmite o cheiro; e lá fora, se calhar, isso consegue-se mas é em diferido, sem acompanhar a imagem, o que deve dar confusão... Mas o cabrão do presidente, o de quatro olhos, dois de luz de pirilampo e dois postiços de pisca-pisca, o cabrão disse-me que me iam propor à academia como candidato ao Nobel, que daí a três anos, daqui a três anos... Disse-me que pensavam candidatar-me... O escritor das bruxas de inspiração regionalista, que sim, que talvez fosse bom para a imagem disto lá fora, disse-me... Vamos propô-lo daqui a três anos, tem-se portado bem, ia ele repetindo.
Mas eu não tenho escrito nada, argumentei. Pois, por isso mesmo, vamos propô-lo. E eu, atrapalhado. Mas, senhor presidente, eu não sou baixinho como os senhores, faço parte da minoria silenciosa, além de que se formos a ver só pela altura tenho um metro e oitenta e cinco, embora nos papéis de identificação tenha um metro e oitenta e dois, porque pensaram que eu estava de botas de sola grossa e deram um desconto, e eu afinal estava descalço, tinha-me descalçado quando foi para me medirem. Não serviu de nada a minha argumentação. Corrigiremos a sua altura, disse o filho da puta, numa próxima revisão do normativo interno e dos dados sectoriais. Está bem, senhor presidente, respondi. E acrescentei, Mas aquilo do Nobel, eu... Ele estava decidido. Queremos apresentar um escritor que não seja de nós. E eu, Mas repito, senhor presidente, eu não tenho escrito nada. Mas vai escrever, disse ele, vai escrever...

terça-feira, 11 de março de 2008

Pergunta discreta

Nomes de treinadores para o Benfica… Tudo gente que está a trabalhar noutros clubes: Carlos Carvalhal, Jorge Jesus, José Peseiro (meu Deus!), Carlos Queiroz e até um tal de Malesani (amigo de Rui Costa). Por que é que não pensam também em Paulo Bento, que continua a trabalhar no duro no Sporting? (oferecíamos, tipo pacote, uma equipa completa de gestores ???, incluindo um presidente com uma hora diária de disponibilidade)

Quando ele era pequenino - 5

O Monge, a seguir uma pista (princípios de 2005).
Início da série aqui.

domingo, 9 de março de 2008

Pouco a dizer

Pouco a dizer, ou nada, já se vê, do jogo do Sporting em Guimarães (Guimarães 2, Sporting 0). Notou-se que a equipa não conseguia bater-se de igual para igual com o Vitória de Guimarães, que tem um orçamento bem menor (para não falar do orçamento do Vitória de Setúbal). Isto faz cair pela base o argumento dos gestores (?) liderados por Filipe Soares Franco, o da difícil situação financeira do Sporting. Outros clubes, com menos recursos mas à custa de muito trabalho e de sensibilidade para o futebol por parte dos seus responsáveis, conseguem resultados imensamente melhores. A realidade objectiva do Sporting é a seguinte: o clube apaga-se e o que se vê é uma sade dirigida por incompetentes que em termos de capacidade de gestão no mundo do futebol estão ao nível da capacidade, por exemplo, de Purovic quando é preciso dominar uma bola dentro da área para depois rematar. Por falar em Purovic, o atarantado Paulo Bento (foi assim que me pareceu quando o vi a falar na televisão depois do jogo) só terá cometido um erro (infantil), o de colocar o jogador indigente (em termos futebolísticos, bem entendido) na equipa inicial. A sorte ainda quis ajudá-lo, com a lesão do desgraçado logo aos sete minutos; mas contra os factos nem a força da sorte conseguiu fazer nada. Uma nota ainda para o ar mortiço de Filipe Soares Franco num camarote qualquer dos vipes que lhe devem ter arranjado (se algum jogador olhou para a bancada e conseguiu ver o presidente, aquele semblante amarelado de derrota deve tê-lo feito perder alguma réstia de motivação que ainda pudesse ter). É fundamental para futuro do meu clube que esta gente (direcção) que tanto o tem abandalhado deixe urgentemente as funções que vem desempenhando de forma tão miserável.

Exame prévio

Ver aqui. E também aqui.

sábado, 8 de março de 2008

Os meus diálogos - 11

(excerto de «O que Entra nos Livros», 2007)
(…)
– Quanto tempo passou desde que queimou o livro ali no grelhador?
– Cerca de um mês e meio.
(…)

Uma pessoa normal

«Sou uma pessoa normal. Não reciclo o lixo. É complicado. Um saco azul, o outro não sei o quê…»
José Rodrigues dos Santos, «Sábado», 06.03.08 (citado pelo «Sol»)
,
À Catarina e à Inês, e aos filhos que vierem a ter. Para saberem que tudo fiz para impedir o que aí vem.»
José Rodrigues dos Santos, dedicatória do seu mais recente romance, «O Sétimo Selo».

sexta-feira, 7 de março de 2008

Sobre o socialismo

Novo livro de Carlos Leone, para a semana nas livrarias: «O Socialismo Nunca Existiu?». O autor fala de «uma proposta positiva», a que chama «tolerância activa». [Ed. Tinta da China]
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Estranha forma de expressão

O antigo árbitro José Leirós, que tão má imagem foi deixando ao longo dos anos pelos campos de futebol, é agora comentador de arbitragem no blog «Bola na Área». Talvez na televisão, ou até na rádio, se desenrascasse, porque teria apenas de falar, mas num blog a coisa não é assim tão simples; precisamente por ter de escrever. Veja-se, por exemplo, o que lhe saiu em relação ao penalty cometido por Léo sobre Vukcevic no último Sporting - Benfica: «Por ultimo, grande penalidade por assinalar favorável ao Sporting CP. Leo rasteirou e derrubou Vukcevic, com Paraty perto da jogada, não sendo possível explicar, porquê que, cometeu tal erro.»

Uma manifesta falta de jeito para cargos públicos

Ver aqui.

Há muita gente por aí com saudades da PIDE

Disto, a ideia com que se fica é a de que há muita gente por aí com saudades da PIDE.

Dirigentes de jeito

Carlos Queiroz em grande, ontem à noite, em Bolton, onde foi assistir ao jogo do Sporting; ver aqui. «Se vim observar algum jogador do Sporting? Não. Vim ver o jogo e alguns dirigentes. Se encontrar algum de jeito, levo-o.»

Dois gatos

Um, meu, no Alentejo, e outro na Provence.
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Em Bolton, onde não vi passar nenhum gestor

Bolton 1, Sporting 1 (Vukcevic). Frente a uma equipa tão tosca que se calhar poderia integrar na perfeição elementos como Purovic ou Anderson Polga, o Sporting passou quarenta e cinco minutos a dormir e mais quarenta e cinco e ver, como dizia o outro, se se safava. As coisas acabaram por correr bem, nomeadamente com o aparecimento de Vukcevic na parte final. Paulo Bento entrou com uma equipa certinha (tirando os problemas do centro da defesa e a insegurança de Rui Patrício, que até se meteu à maluca defender com as mãos uma bola bem fora da área) e não fez substituições parvas como por vezes acontece (pode-se até dizer que se esmerou com a entrada de Romagnoli e com a oportunidade concedida ao jovem Adrien). Mais… Nas imagens do jogo não vi passar nenhum gestor (?), o que é sempre de louvar e até faz com que me esqueça de que a sade existe. E outra coisa… Desta noite europeia, pelo que deu para perceber que aconteceu para os lados da Luz, fica uma sensação de enorme frustração pelo empate do passado fim-de-semana, assim como pelo atraso de cinco pontos que temos na classificação; e uma nota, também sobre o jogo da Luz: o avançado com nome de inspector da PIDE voltou a repetir a graça de dar uma cotovelada num adversário e o árbitro – ao contrário do inclassificável Paraty – não esteve com meia medidas e mandou-o para a rua (talvez a partir de agora esse avançado passe a ter mais cuidado, e também a evitar aquelas tiradas idiotas sobre o futebol não ser para mulheres).

quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 4

O Monge, no montado, com os pais (princípios de 2005).
Início da série aqui.

Os políticos actuais não vão escrever as memórias

Bem interessante a entrevista dada por Francisco José Viegas ao Tiago Salazar (revista «Magazine Artes» deste mês). «Volto aos exemplos dos políticos. Já reparou como são os seus discursos? Já comparou o grau de instrução efectiva dos políticos portugueses do século XIX com o dos de hoje? Acho que há uma diferença abissal. Esta gente, quando envelhecer, não vai escrever as suas memórias, pela simples razão de que não sabe escrever… Há excepções, que são saborosas, naturalmente, mas a média é muito fraquinha.»

«Pessoal», edição de Março

Capa da revista «Pessoal» de Março, com seis mulheres directoras de recursos humanos em Portugal. O meu editorial está disponível no blog «Mundo RH».
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quarta-feira, 5 de março de 2008

Uma crónica

A minha crónica de Março da revista «Magazine Artes». O título genérico da crónica é «Letra Redonda».

O meu primeiro livro
Quase que poderia escrever «há muito, muito tempo». Nessa altura, há muito, mesmo muito tempo, escrevi um livro de contos a que dei um título muito comprido: «Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade», o título de um dos contos. Guardo recortes de jornais dessa época, e nalguns o livro até aparece nos tops das livrarias, nunca em primeiro lugar, mas em certos casos em segundo, batido se não estou em erro por «O Pesadelo de Obélix» ou pelo «Pequeno Livro de Instruções para a Vida». Podia ser pior…
O tempo passou. Habituei-me a que pouca gente conseguisse dizer o título correcto do livro; geralmente as pessoas começavam por «o dia em que o presidente foi» e a seguir atiravam com os sítios mais diversos: Beja, Santarém, Moura, Silves, Setúbal… Metiam tudo e mais alguma coisa no título, tirando, já se adivinha, a minha terra (Monchique). Isso foi nos primeiros anos. Agora já não acontece muito, porque quando me falam no livro é mais para me dizerem que não o encontram; o meu primeiro livro, «o do título comprido». Às vezes, em sessões de autógrafos, aparecem pessoas com outros livros meus e a perguntarem como poderão arranjar aquele, que não vêem em lado nenhum. Eu aí digo que não posso fazer nada, já que depois de esgotadas as edições que foram feitas só se surgir uma nova oportunidade, porque entretanto eu mudei de editora. E ofertas é coisa que não posso fazer, porque a verdade é que me resta apenas um exemplar de cada uma das edições.
Um dia, nem foi há muito tempo, recebi um comentário no meu blog; era alguém que tinha lido um dos meus livros (o romance «O que Entra nos Livros»). Dizia que o tinha comprado em Lisboa, «na Bulhosa do Campo Grande», isto depois de ter ido procurar a «duas livrarias da Bertrand». E que preferia ter começado por «O Medo Longe de ti», o romance que de certa forma dá origem ao que comprou, só que desse nem sinal nas livrarias. Mas o problema até nem era grave… No comentário estava escrito: «Como faz um brevíssimo resumo desse livro, sempre minimiza o desconhecimento do passado.» E depois, uma pergunta: «A propósito, não estão previstas novas edições dos seus livros?» Neste caso não havia uma referência ao primeiro, mas eu não consegui deixar de pensar nele, enquanto escrevia uma resposta a dizer que de alguns dos títulos por certo haveria livrarias com exemplares. O pior era mesmo em relação àqueles dos meus primeiros anos de escrita, que estavam dados como esgotados, e então no caso do primeiro livro devia ser mesmo impossível.
Eu ia todo lançado a escrever isto quando me lembrei de que a pessoa era do Sporting, como eu (no comentário aparecia também isto: «Estive lá, no meu lugar cativo de sofredor, e tive quase orgulho naquela equipa. Estou de acordo com as suas apreciações. Contudo, julgo que é um pouco injusto para com o Polga.»). Eu tinha escrito no blog, a propósito de um jogo das competições europeias entre o Sporting e uma equipa suíça, que o defesa brasileiro Anderson Polga parecia «mesmo talhado para o desastre». E então fiz um acrescento à resposta, pensando ainda no primeiro livro. Falei de um célebre golo de António Oliveira com a camisola do Sporting, marcado em 1982 ao Dínamo de Zagreb, num jogo da Taça dos Campeões Europeus disputado no antigo Estádio José Alvalade. Oliveira marcou os golos todos do três a zero, depois de uma derrota por um a zero em Zagreb. O golo era o terceiro, com Oliveira a avançar pela direita e depois, em vez de fazer um centro, a atirar a bola de uma forma estranha para a baliza, num remate que parece ter sido feito com a sola. No fim do jogo os jornalistas só lhe faziam perguntas sobre aquele golo, e ele acabou por comentar: «Quem viu, viu; quem não viu, já não vê mais!» Talvez eu possa dizer algo parecido sobre o meu primeiro livro: «Quem leu, leu; quem não leu, já não lê mais!» Mesmo o golo sendo do outro mundo e o livro pertencendo a este em que vivemos.

terça-feira, 4 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 3

O Monge, a correr mais o pai (princípios de 2005).
Início da série aqui.

segunda-feira, 3 de março de 2008

As coisas até nem me pareciam assim tão mal, só que…

As coisas até nem me pareciam assim tão mal como isso no começo do Sporting 1 (Vukcevic), Benfica 1. A equipa que entrou não tinha as escolhas inacreditáveis do jogo anterior, para a Taça, e portanto era de prever que poderia vencer com alguma facilidade, mesmo com Liedson e Luisão de fora (Liedson para marcar, Luisão para deixar Liedson marcar). Infelizmente não foi nada disso que se passou e muito por culpa do árbitro, que deixou por assinalar um penalty evidente sobre Vukcevic e perdoou algumas expulsões a jogadores do Benfica (em lances piores do que aquilo que fez Nelson, o único que foi para a rua); a ideia que ficou é a de que Paulo Paraty tinha razões fortes para não se afastar da linha de actuação que deixou bem clara desde o início do jogo (mas saber quais seriam ao certo essas razões, isso é que não é fácil, a menos que ele as confesse a alguém por telefone e que com sorte haja uma equipa de escuta em acção).
Não gosto muito meter aqui os árbitros. No caso de Portugal, nem vale a pena falar de um nível de qualidade muito baixo; a coisa é bem pior, porque percebe-se a existência de um emaranhado de relações, interesses, perversões e por aí adiante que dão cabo de qualquer tentativa de análise minimamente normal. O jogo de ontem foi mais um exemplo, ainda por cima tendo a dirigi-lo um dos piores representantes da inclassificável arbitragem portuguesa.
Mais umas notas a propósito do jogo:
- Paulo Bento voltou a fazer asneira, quando parecia que estava num dia em que até podia atinar; depois de o Benfica ficar apenas com dez jogadores, devido à expulsão de Nelson, não perdeu tempo e reduziu também o Sporting a dez, tirando um dos jogadores da equipa para meter Purovic;
- o Benfica festejou, e muito, o segundo lugar (pelo qual Filipe Soares Franco determinou que é o máximo por que o Sporting deve lutar – dá a ida à Liga dos Campeões e poupa-se nos prémios, segundo já disse); é estranho ver festejos assim, ignorando o Porto e o facto de estar lá muito à frente, mas mais estranho é perceber que o Sporting já não é terceiro, nem sequer quarto;
- o Sporting passou para o quinto lugar, tendo duas equipas de muito menor orçamento à frente na classificação; a desculpa da situação financeira não serve para uma equipa de gestão (?) que, é mais do que claro, abandalhou por completo o futebol do clube;
- na televisão, vi dois comentários ao penalty não assinalado sobre Vukcevic que achei curiosos; o jogador que fez a falta, Leo, disse que não sabia de nada, que nem tinha participado no lance e que o protagonista tinha sido Sepsi, o seu colega romeno que só haveria de entrar em campo um quarto de hora depois de a falta ser cometida; o segundo comentário foi do antigo árbitro Jorge Coroado, que se limitou a perguntar para que é que valeria a pena assinalar penalty se o Polga estava em campo (vendo as coisas por aí, não há como não admitir que tinha razão, a menos que num momento de lucidez Paulo Bento, ou alguém por ele naquele clube, proibisse o defesa brasileiro de tentar marcar penalties).

domingo, 2 de março de 2008

Uff...

Mandaram-me o link de um blog com referências ao meu primeiro livro. Quando vi que o blog se chama «A Senhora Sócrates», lembrei-me logo do outro da licenciatura manhosa e dos projectos de uma pessoa até fugir, e isso deixou-me um bocado, nem sei, talvez apreensivo. Mas não, felizmente o nome do blog tem outras justificações, infinitamente mais meritórias.

Um caso extremo de compreensão lenta

Na noite da última sexta-feira, durante mais uma sessão da Assembleia Municipal de Monchique, o presidente da câmara anunciou para este fim-de-semana a realização de um workshop (que algumas vezes designou também por «workshoping»); disse ele que era para apresentar as potencialidades do concelho a um considerável número de grupos económicos, cujos representantes tinha convidado para estarem presentes, e disse também que esperava que a iniciativa pudesse resultar em investimentos em Monchique. Disse ainda outra coisa, ou antes, confessou: não tinha compreendido até agora a importância de uma iniciativa como aquela, nomeadamente por falta de tempo. Podia-se admitir isto numa pessoa que estivesse há um ano ou dois no cargo, mas não numa pessoa que estivesse, por exemplo, há quatro ou cinco. E no caso desta pessoa, então, é melhor nem entrar em grandes considerações; está no cargo há vinte e cinco anos.

sábado, 1 de março de 2008

Começos prometedores - 12

«Conheci um cágado chamado Leonardo. Tinham-lhe dado aquele nome porque o animal se revelou um admirador apaixonado de Leonard Cohen.»
Início da crónica «As rosas preferem Beethoven», incluída no livro «A Substância do Amor e outras crónicas», de José Eduardo Agualusa (Publicações Dom Quixote, 2000)

Uma revista em análise

E também, ao que parece, em contra-análise. Ver aqui.

Quatro flores, esta tarde, por aqui